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De Mentira e Vaidade

 O nosso amor foi uma mentira e a minha vaidade e orgulho abraçou. Cazuza já dizia isso numa música "o nosso amor é uma mentira que minha vaidade quer". Foi muito dificil para mim logo no início viver suas mentiras e não querer falhar logo no começo. Eram muitas bandeiras vermelhas, traições, mentiras, e eu usei um belo tapa-olho para tentar te encaixar no que eu idealizei. Fui tola e aprendi duramente. Você sumia, e mentia, e traía, e sumia, e traía, e mentia, e tudo de novo, e sempre prometendo melhorar, melhorar... e eu fui ficando doente.  Achei que seria uma salvadora, tirando você de um ambiente de drogas, de sexo barato, de noites sem dormir, de abuso de álcool, mas você nunca precisou de ajuda. Você amava o desbunde, e as putas, e os abusos. Minha deração e equilíbrio não foi atraente. pelo contrário, vc quis me levar p esse  vida e isso foi me minando Quanta vergonha passei. Seus amigo riam de mim, falavam mal pelas costas pq queriam vc com a outra, que hj está d...

De Rivotril e Saudade

 Querido ex-amor, Que pena que a gente não se despediu como deveria! Foi um amor cheio de altos e baixos, definitivamente muito intenso. Eu literalmente quase morri de amores por ti, e isso não foi bom. Felizmente, a ansiedade de ontem virou alívio, e a depressão apenas uma leve melancolia. Foi bom estarmos apartados. Uma coisa que preciso que você tenha certeza: Eu te AMEI! Você foi MUITO AMADO! Vou guardar nas entranhas e no âmago o seu cheiro de pipoca-doce com raio de sol, a cor de seus olhos marrom-âmbar, a pele tão macia e lisinha, sua risada exagerada (que às vezes me constrangia) mas vinha do maior sorriso do mundo. Cada pedacinho de você se faz inteiro em memória. Infelizmente, quis a vida que não seguíssemos juntos. Em realidade, velho amigo, nosso romance já nasceu morto, como pontuaram meus amigos mais próximos, e os 6 meses completos foram como uma sobrevida deveras sofrida. É uma pena! Mas houve felicidade, ah, se houve! E risadas regadas a vinho, caminhadas longas de...

O coração e a razão

 Eu tenho um relacionamento, que começou bem conturbado. Em alguns momentos, testou minha racionalidade e força de vontade.  Recebi muito avisos de deixá-lo ir mas não foi o que meu coração me falou, então fui deixando acontecer. O que  mudou? Minha expectativa em relação a ele. Com a ajuda da terapia (ajuda demais), consegui ver que muitas coisas que eu sentia não estava no lugar de sentir. Eram questões dele, só dele, não minhas, e quando eu recebi como minhas eu obviamente criei monstros que simplesmente não existiam antes. Toda pessoa tem sua peculiaridade, e seus próprios fantasmas e esqueletos no armários. Eu não sou diferente. Já notei que eu e ele projetamos e criamos gatilhos de nossas sombras. Pode ser assustador ou educativo, cabe escolher. Eu não esta a entendendo a princípio, mas agora eu entendo, e quanto mais entendo, mais sei que não é sobre mim e tento aprender a lição. Acho que ele entrou na minha vida para me fazer encarar as minhas sombras mais profund...

Deixe ficar ou deixe ir, no fluxo e sem apego

  Na vida, vamos cometer erros. Até quando tentamos o melhor, pode não ser o suficiente. O bom é reconhecer, abraçar os erros, as vergonhas, os medos, e também a lição que aprendemos. O que nos realmente nos leva p frente é gratidão, prestar atenção nas pequenas coisas, nos gestos, nas alegrias sem preço dos dia a dia. Sabe o que ajuda muito? Tirar as distrações do dia-a-dia e manter a mente ocupada em tarefas, seja trabalho, seja música, dança, esportes, qq forma de arte. Internet nos consume, que tal abrir um livro? Que tal chamar um amigo ou parceiro para uma caminhada, um café?  A vida não é dura nem fácil, é os dois. Dizer que abraçar o difícil é bom, é meio estranho, mas aceitar o ruim, e abraçar o tranquilo. Viver o momento é a o real poder. Nada acontece que não agora. Para acabar com a ansiedade, ou a angústia. Passado já foi, futuro a gente não sabe com exatidão, então o hoje é tudo que temos. Perdoar, por exemplo, diz mais sobre a gente que os outros. O perdão ele l...

A Sua Melhor Companhia

 Se tem uma coisa que o tempo, a pandemia, os relacionamentos afetivos fraternos, e diversas outras experiências me ensinaram é que não existe melhor companhia para você mesmo que não você mesmo. Nem por um momento estou dizendo que não devemos confiar em ninguém, nem um momento estou falando que se deve viver como eremita no alto da montanha. Estou falando que reconhecer-se como sua melhor companhia ajuda em muito na nossa evolução, tanto pessoal quanto social. É preciso, sim, ser seletivo quanto amizades. Infelizmente, nem todo mundo quer nosso bem, ou nem todo mundo quer que a gente esteja "mais" bem (desculpa a licença poética no uso desse português) do que ela. Então, vale mesmo o lema, poucos e bons amigos. E não há o que ensinar como achar esses amigos, nosso sexto sentido sabe. Se você tem uma pulguinha atrás da orelha com alguma pessoa, não ignore. É o seu sexto sentido tentando te poupar do que chamam hoje em dia de "passar raiva". Evite passar raiva ouvin...

Pensativa

 Eu deveria escrever todo dia, eu sei. Tenho noção de que colocar no papel (no caso aqui, na tela), alivia o coração e a mente. A questão é que nem serpe sei sobre o que falar, ou tenho vontade de falar. 90% do tempo estou com raiva de tudo. Tá chocado/a/x? Professora de Yoga com raiva. Veja bem, o Hulk tb vive com raiva (e é um herói), mas aprendeu a canalizar tão bem que em sua versão "Vingadores" ele consegue ser mais Bruce Banner do que Hulk. Eu ainda não digeri, e muito disso por causa da pandemia ainda existente, a morte do meu pai, mais as milhares de mortes desnecessárias que ocorreram em meu país. Soma-se a isso que perdi minha empresa, perdi minha casa, e sem contar só com o material, vindo para o campo pessoal mesmo, me sinto muito solitária e filhos só se adotar, porque sou estéril há muitos anos. Problemas hormonais. O mesmo problema que me mantém com cara e corpo de 20 anos tendo mais de 40 é o responsável pelo fato que nunca vou ser mãe biológica. Mas essa ques...

Sonhos

 O título lembra o filme do saudoso Akira Kurosawa, mas usei porque atualmente tenho sonhado muito com minhas amigas. Faz tempo que não vejo minhas amigas, então os sonhos têm sido uma mistura de filmes que eu tenho assistido com atividades que fazíamos juntas no passado, com muita coisa que elas postam nas redes sociais. Enfim, um balaio de gatos de imagens e memórias. Pelo menos nos sonhos, eu tenho tido a liberdade de ir numa cachoeira, acampar, tomar um chopp (e olha que pouco bebo), e me desligar desse mundo cão chamado Pandemia no Brasil (bem específico, no Brasil). É muito horrível ver notícias, a impressão que tenho é que o mundo inteiro acha que a gente apóia esse homem asqueroso, o que não é verdade. A gente está presa aqui com o Covid e ele. Ele, um mal muit maior que qualquer vírus. Hoje até fiz uma 'live' em inglês para meus amigos de fora verem a realidade aqui, que não, não apoiamos esse verme, que as pessoas têm fome, que tem sido um misto de medo, agonia, esper...

Baile de Carnaval

 O título fala de baile, mas não vou a um evento desses há décadas. Simplesmente porque dia desses, semana passada (hoje é terça-feira), achei uma foto com meu pai, numa matinée carnavalesca bem no início dos anos 80 (acredito que a foto é de 80 ou 81). Eu tirei essa foto do álbum e botei colada na porta de vidro do meu armário-biblioteca. Meu pai estava sorrindo. Flagrante raro. Ele era um cara animado, amistoso, mas raramente sorria para a foto. Eu estou nos ombros dele, vestida de gato (sempre foi meu animal favorito), meio aterrorizada de estar tão alto no ombro, meio contente por ser carnaval. Não nego que sempre amei uma festinha. Quem me conheceu na faculdade, sabe disso, que foi a época áurea das farras momescas de minha vida. Voltando à foto, essa imagem me traz lembranças acolhedoras. E quando eu olho para ela, eu consigo me projetar e voltar a uma época em que eu era verdadeiramente feliz. Eu era uma criança estranha,... estranha e feliz. Estava há anos luz de idéias dos...

Páscoa de Novo

 Ano passado meu pai quis vir me ver na Páscoa. Eu não deixei.... primeiro que já estava na pandemia, meu pai trabalhava em hospital, e eu já desconfiava que ele estava infectado (e realmente estava). Mais o fato que ele tinha 70 anos, não queria que pegasse a estrada sozinho. No abril passado, as pessoas realmente ficavam em casa. Fiquei com medo de ele quebrar na estrada e não ter socorro, e fiquei com medo de ele infectar minha mãe. Quando vejo núcleos familiares se reunindo e infectando um ao outro, lembro que não me despedi do meu pai em nome de salvar minha mãe. Eu realmente salvei minha mãe, ela já está vacinada. Se eu me arrependo de ter negado a visita do meu pai? Nem um pouco. De onde ele estiver, ele sabe que eu fiz o certo. Ontem aqui no meu bairro estava cheio de gente. A cabeça do brasileiro funciona assim: prefeito declara bandeira roxa, fecha estrada, logo, vou para o bairro arborizado da cidade SEM máscara, passear, andar de bicicleta, correr... afinal, lá não tem ...

Até Quando

 Ontem um arco-íris imenso, de 180° estava diante da minha janela. Dizem que o arco-íris significa a esperança que devemos ter que dias melhores estão por vir. Pouco depois da visão do arco-íris, eu fiquei sabendo que uma amiga minha, dois anos mais velha que eu, fez a passagem. Mais uma amiga! Sim, vítima da pandemia. Para ela, a vacina não chegou a tempo. Quando eu penso em tudo que anda acontecendo, nesse presente surreal, não consigo de deixra de pensar em como será o futuro. Porque, cara, o futuro vai ser, no mínimo confuso. Porque tem noção de como nós estamos frágeis e traumatizados. Tem noção desse filme de terror que se repete diáriamente, há um ano, e que fica pior, ao menos por aqui, a cada dia? Assim como hoje não tem leito nos hospitais, de repente mais para frente não vai ter psicólogo ou psiquiatra que dê conta dos milhões de traumatizados que estão sendo gerados dia após dia. antes da pandemia, eu fazia Psicoterapia. Fui procurar a minha terapeuta esses dias, e o pr...

Genocídio

 Ontem, sexta-feira, o alarmante número de 3.650 morto / dia. Tem noção do horror que é isso? Tem noção do medo que causa? Mas não em todo mundo. Aqui da janela, vejo as pessoas sem máscara, sem responsabilidade, como se fosse mais um dia normal na vida do cidadão brasileiro. Obviamente que a culpa de estarmos vivendo essa situação de caos e terror é do pior governo que tivemos desde que Portugal invadiu o Brasil em 1500. O pior governo que tivemos desde que viramos República (das bananas) em 1889. E olha que tivemos ditadura, braba, dura, terrível, aniquiladora, assim como todos os demais países sulamericanos, dos anos 60 a meados dos 80.  As diretas de 1984, trazendo de volta a democracia semeou a esperança nesse país de dimensões continentais. E entre governos bons e péssimos, estamos vivendo o pior. E mesmo assim digo, apesar de esse (des)governo ser medonho, esse cidadão inonimável que ocupa o cargo ter toda a parcela de culpa, culpado também é o cidadão que não assume a ...

O Esforço Diário

Sou Professora de Yoga. Muita gente me procura com sintomas de stress e ansiedade causados pela Pandemia. Impossível não se sensibilizar com a quantidade de gente que está morrendo por dia. Impossível? Na era digital, temos acesso a tudo, inclusive uma galera que não liga a mínima e aglomera, dá festas, não usa máscara e acha que a notícia dos mortos é falsa. No texto anterior eu disse que perdi meu pai na Pandemia. Isso é verdade. Em 20 de abril de 2020 fui informada por telefone que meu pai estava internado e entubado, dia 24 de abril, pouco depois, ele fez a passagem. Tudo tão rápido que eu nem me despedi. É doloroso dizer que a última visão do meu pai foi no necrotério, nu em um saco preto, para reconhecimento e liberação para cremar. Acho importante escrever esses detalhes para que quem nega tudo que está havendo no mundo, e muito aqui por um genocida negacionista irresponsável e assassino que lidera, e desde 2018 eu me pergunto como ele ascendeu ao poder, porque sua figura já me ...

Há 1 ano

     Desde 16 de março de 2020 nos encontramos em Pandemia, ao menos oficialmente no meu confuso país, que é o Brasil. No dia 14 de março de 2020 seria o lançamento do meu livro, que não ocorreu mediante medidas de prevenção da promulgação do Covid em terra brasilis.  Fico me perguntando porque cancelaram algo na época ainda seguro para depois permitir que nesse um ano, tanta coisa clandestina tenha sido feita. Reclamações a parte, nunca mais escrevi de forma consistente. Venho por meio deste, pouco mais de uma ano depois, relatar perdas e observações desse período ainda tão delicado. Que eu seja eficiente e sincera, e não deixe nada da memória apagar. memória é algo que esse país não tem, assim como hábito de leitura, informação, respeito à ciência, às idéias, à educação, e ao próximo. Esse é o meu diário, enquanto sobrevivente e residente permanente (até que a má fama que ganhamos não nos preceda)  nessa bagunça.