Baile de Carnaval
O título fala de baile, mas não vou a um evento desses há décadas. Simplesmente porque dia desses, semana passada (hoje é terça-feira), achei uma foto com meu pai, numa matinée carnavalesca bem no início dos anos 80 (acredito que a foto é de 80 ou 81).
Eu tirei essa foto do álbum e botei colada na porta de vidro do meu armário-biblioteca. Meu pai estava sorrindo. Flagrante raro. Ele era um cara animado, amistoso, mas raramente sorria para a foto. Eu estou nos ombros dele, vestida de gato (sempre foi meu animal favorito), meio aterrorizada de estar tão alto no ombro, meio contente por ser carnaval. Não nego que sempre amei uma festinha. Quem me conheceu na faculdade, sabe disso, que foi a época áurea das farras momescas de minha vida.
Voltando à foto, essa imagem me traz lembranças acolhedoras. E quando eu olho para ela, eu consigo me projetar e voltar a uma época em que eu era verdadeiramente feliz. Eu era uma criança estranha,... estranha e feliz. Estava há anos luz de idéias dos meus amiguinhos de idade.... não à toa que me sentia à vontade conversando com professores ou amigos da minha irmã (que é 15 anos mais velha). Numa época que não tinha internet, eu enterrava a cara nos livros e nas revistinhas. E ainda tinha tempo de fazer dança, praticar body board (lembra da morey-boogie?), brincar de pique com os amiguinhos, e fazer fórmulas no meu mini laboratório de química.
Pois é, tinha um brinquedo que era um mini laboratório, com tubos de ensaio, fórmulas, vários elementos para se trabalhar... vinha até um jalequinho. Engraçado que nunca sonhei em ser nem cientista, nem médica, mas adorava biologia e química. Meu sonho sempre foi dançar, e escrever.
E é isso que fiz. Acho que pessoas curiosas têm um dom para a escrita. Pessoas curiosas e cheias de memórias. Pessoas curiosas, cheias de memórias, que leem muito e conversam com todo mundo. Essa sou eu!
E o que tudo isso tem a ver com não enlouquecer na Pandemia. Reviver memórias boas, relembrar que é possível ser feliz apesar do momento, reconhecer o momento (mesmo que difícil), entender o momento, saber que é passageiro, efêmero, mutável.... isso dá inteligência emocional para não se desgastar no sofrimento. A dor, já dizia o Buda, ela existe, mas o sofrimento, esse é opcional.
Então, sendo ele opção, eu opto por resgatar o passado e escrever sobre ele. Resgatei do passado algumas séries de TV, mas isso, escrevo em outro texto.
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