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Mostrando postagens de março, 2021

Até Quando

 Ontem um arco-íris imenso, de 180° estava diante da minha janela. Dizem que o arco-íris significa a esperança que devemos ter que dias melhores estão por vir. Pouco depois da visão do arco-íris, eu fiquei sabendo que uma amiga minha, dois anos mais velha que eu, fez a passagem. Mais uma amiga! Sim, vítima da pandemia. Para ela, a vacina não chegou a tempo. Quando eu penso em tudo que anda acontecendo, nesse presente surreal, não consigo de deixra de pensar em como será o futuro. Porque, cara, o futuro vai ser, no mínimo confuso. Porque tem noção de como nós estamos frágeis e traumatizados. Tem noção desse filme de terror que se repete diáriamente, há um ano, e que fica pior, ao menos por aqui, a cada dia? Assim como hoje não tem leito nos hospitais, de repente mais para frente não vai ter psicólogo ou psiquiatra que dê conta dos milhões de traumatizados que estão sendo gerados dia após dia. antes da pandemia, eu fazia Psicoterapia. Fui procurar a minha terapeuta esses dias, e o pr...

Genocídio

 Ontem, sexta-feira, o alarmante número de 3.650 morto / dia. Tem noção do horror que é isso? Tem noção do medo que causa? Mas não em todo mundo. Aqui da janela, vejo as pessoas sem máscara, sem responsabilidade, como se fosse mais um dia normal na vida do cidadão brasileiro. Obviamente que a culpa de estarmos vivendo essa situação de caos e terror é do pior governo que tivemos desde que Portugal invadiu o Brasil em 1500. O pior governo que tivemos desde que viramos República (das bananas) em 1889. E olha que tivemos ditadura, braba, dura, terrível, aniquiladora, assim como todos os demais países sulamericanos, dos anos 60 a meados dos 80.  As diretas de 1984, trazendo de volta a democracia semeou a esperança nesse país de dimensões continentais. E entre governos bons e péssimos, estamos vivendo o pior. E mesmo assim digo, apesar de esse (des)governo ser medonho, esse cidadão inonimável que ocupa o cargo ter toda a parcela de culpa, culpado também é o cidadão que não assume a ...

O Esforço Diário

Sou Professora de Yoga. Muita gente me procura com sintomas de stress e ansiedade causados pela Pandemia. Impossível não se sensibilizar com a quantidade de gente que está morrendo por dia. Impossível? Na era digital, temos acesso a tudo, inclusive uma galera que não liga a mínima e aglomera, dá festas, não usa máscara e acha que a notícia dos mortos é falsa. No texto anterior eu disse que perdi meu pai na Pandemia. Isso é verdade. Em 20 de abril de 2020 fui informada por telefone que meu pai estava internado e entubado, dia 24 de abril, pouco depois, ele fez a passagem. Tudo tão rápido que eu nem me despedi. É doloroso dizer que a última visão do meu pai foi no necrotério, nu em um saco preto, para reconhecimento e liberação para cremar. Acho importante escrever esses detalhes para que quem nega tudo que está havendo no mundo, e muito aqui por um genocida negacionista irresponsável e assassino que lidera, e desde 2018 eu me pergunto como ele ascendeu ao poder, porque sua figura já me ...

Há 1 ano

     Desde 16 de março de 2020 nos encontramos em Pandemia, ao menos oficialmente no meu confuso país, que é o Brasil. No dia 14 de março de 2020 seria o lançamento do meu livro, que não ocorreu mediante medidas de prevenção da promulgação do Covid em terra brasilis.  Fico me perguntando porque cancelaram algo na época ainda seguro para depois permitir que nesse um ano, tanta coisa clandestina tenha sido feita. Reclamações a parte, nunca mais escrevi de forma consistente. Venho por meio deste, pouco mais de uma ano depois, relatar perdas e observações desse período ainda tão delicado. Que eu seja eficiente e sincera, e não deixe nada da memória apagar. memória é algo que esse país não tem, assim como hábito de leitura, informação, respeito à ciência, às idéias, à educação, e ao próximo. Esse é o meu diário, enquanto sobrevivente e residente permanente (até que a má fama que ganhamos não nos preceda)  nessa bagunça.