A Sua Melhor Companhia

 Se tem uma coisa que o tempo, a pandemia, os relacionamentos afetivos fraternos, e diversas outras experiências me ensinaram é que não existe melhor companhia para você mesmo que não você mesmo.

Nem por um momento estou dizendo que não devemos confiar em ninguém, nem um momento estou falando que se deve viver como eremita no alto da montanha. Estou falando que reconhecer-se como sua melhor companhia ajuda em muito na nossa evolução, tanto pessoal quanto social.

É preciso, sim, ser seletivo quanto amizades. Infelizmente, nem todo mundo quer nosso bem, ou nem todo mundo quer que a gente esteja "mais" bem (desculpa a licença poética no uso desse português) do que ela. Então, vale mesmo o lema, poucos e bons amigos. E não há o que ensinar como achar esses amigos, nosso sexto sentido sabe. Se você tem uma pulguinha atrás da orelha com alguma pessoa, não ignore. É o seu sexto sentido tentando te poupar do que chamam hoje em dia de "passar raiva". Evite passar raiva ouvindo-se melhor.

Eu viajo muito sozinha, eu faço muitos passeios sozinha, e eu não sou solitária. Pertenço a alguns grupos, de trabalho, de yoga, de dança, de antiga escola, de faculdade, de família, de interesses em comum, de clube do livro, de viagens, mas não deixo de fazer os meus passeios dependendo de algum indivíduo ou não. Eu vou e faço, e quer saber? Acabo fazendo outros amigos no caminho.

Conhecer-se bem, ouvir-se bem, é a chave para viver melhor. Afinal, a sua vida é sua! Nenhuma outra pessoas vai saber melhor o que passa aí dentro que você. Nem seu terapeuta, nem seu médico, nem sua mãe. Ninguém tem como sentir o seu sentimento, ninguém tem como saber da sua capacidade, ninguém tem como batalhar a sua batalha, nem doer a sua dor. Só você!

Então, viva o seu melhor, da maneira que for possível, sem pisar em ninguém, sem se magoar nem magoar. Alestair Crowley costumava dizer: "Do what you want to" (faça o que quiser, traduziu Raul Seixas). Bem, Rauzito deixou de traduzir o final da frase, que está em seus livros, que seria "faça o que quiser contanto que não afete ninguém". Está nos livros do Sr. Crowley se sentir curiosidade de ler.

Como professora de yoga e jornalista, eu leio muita literatura diversificada, não me atenho a uma linha ou duas de espiritualidade, eu abraço todas, e dessa forma vejo que todas formam um uno com uma coisa: a lei de causa e efeito, o famoso karma. Disso não há como fugir, é física aplicada em ações, causa e efeito ou aqui se faz, aqui se paga. 

Então, conhecer-se bem é fundamental para não se magoar, e nem ao próximo. Eu poderia discorrer um rosário de  episódios em que alguns amigos me "passaram a perna" mas de nada adiantaria remoar o que passou. É por isso que vivemos no presente, porque é o agora.

Lembre-se, não é egoísmo se proteger, não é egoísmo se afastar do que causa dor, o nome disso é amor-próprio. Então, ame-se e viva bem, dentro do que é correto e justo.

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