O Esforço Diário

Sou Professora de Yoga. Muita gente me procura com sintomas de stress e ansiedade causados pela Pandemia. Impossível não se sensibilizar com a quantidade de gente que está morrendo por dia. Impossível? Na era digital, temos acesso a tudo, inclusive uma galera que não liga a mínima e aglomera, dá festas, não usa máscara e acha que a notícia dos mortos é falsa.

No texto anterior eu disse que perdi meu pai na Pandemia. Isso é verdade. Em 20 de abril de 2020 fui informada por telefone que meu pai estava internado e entubado, dia 24 de abril, pouco depois, ele fez a passagem. Tudo tão rápido que eu nem me despedi. É doloroso dizer que a última visão do meu pai foi no necrotério, nu em um saco preto, para reconhecimento e liberação para cremar.

Acho importante escrever esses detalhes para que quem nega tudo que está havendo no mundo, e muito aqui por um genocida negacionista irresponsável e assassino que lidera, e desde 2018 eu me pergunto como ele ascendeu ao poder, porque sua figura já me parece tão surreal e maligna, que não consigo entender como as pessoas votam e identificam-se com isso. Minto, consideramos que somos um espelho da realidade, algumas pessoas se identificam com ele porque elas são como ele. Triste, porém real.  Como na Alemanha de Hitler, na Espanha de Franco, e na Itália de Benito Mussolini.

Eu me pergunto em que mundo uma pessoa que prega o ódio atinge o coração das pessoas com simpatia. Bem, nesse mundo aqui, e em pleno século 21.

Eu sou uma leitora voraz de todo tipo de literatura, de história à ficção, de religião à política, de economia à quadrinhos. Tudo que chega as mãos leio. Como aprendizado. E dali julgo ou não, de acordo com o que acredito acrescentar ao meu caráter. o que mais vejo é que desde que o mundo é mundo, algumas estruturas permanecem as mesma, e a humanidade, sem amor, está fadada, assim como os dinossauros, à extinção. 

Parece bem apocalíptico, mas é verdadeiro. Sem amor, sem empatia, sem responsabilidade, não chegaremos muito além.

Sobre o esforço diário do título, é com esforço e muita meditação que passo pela pandemia. As vezes desesperançosa, mas sempre positiva e produtiva. Isso gera algumas surpresas nos meus alunos... acham q eu estou super bem, e na verdade eu estou tão abalada quanto todo mundo que se importa com a vida. E quando eu conto isso, eles contestam como uma pessoa espiritualizada passa por isso. a resposta é simples: eu sou humana.

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