Páscoa de Novo

 Ano passado meu pai quis vir me ver na Páscoa. Eu não deixei.... primeiro que já estava na pandemia, meu pai trabalhava em hospital, e eu já desconfiava que ele estava infectado (e realmente estava). Mais o fato que ele tinha 70 anos, não queria que pegasse a estrada sozinho. No abril passado, as pessoas realmente ficavam em casa. Fiquei com medo de ele quebrar na estrada e não ter socorro, e fiquei com medo de ele infectar minha mãe.

Quando vejo núcleos familiares se reunindo e infectando um ao outro, lembro que não me despedi do meu pai em nome de salvar minha mãe. Eu realmente salvei minha mãe, ela já está vacinada. Se eu me arrependo de ter negado a visita do meu pai? Nem um pouco. De onde ele estiver, ele sabe que eu fiz o certo.

Ontem aqui no meu bairro estava cheio de gente. A cabeça do brasileiro funciona assim: prefeito declara bandeira roxa, fecha estrada, logo, vou para o bairro arborizado da cidade SEM máscara, passear, andar de bicicleta, correr... afinal, lá não tem infecção. 

Foi um filme de terror eu precisar ir no mercadinho do bairro ontem, porque as ruas estavam lotadas, e eu moro num bairro afastado. O caos! Andei pelo meio da rua. Aí vc entende que a pandemia não vai terminar nunca... e não só aqui no Brasil.

Vejo o noticiário de outros países, tirando Israel, Nova Zelândia e Estados Unidos, que estão avançados com vacinação, o resto está cheio de cepas e vacinação atrasada. Claro que o nosso lidera a vacinação atrasada e somam-se aos irresponsáveis que saem de qualquer forma.

Eu já desconfiada ano passado que seria assim, essa confusão. Sem bola de cristal, só observando o comportamento. Em novembro, tinha um rapaz lá no Rio que insistia em me conhecer apesar da pandemia. Eu não estava nem um pouco interessada nele, então dizer não fácil. Eu não diria sim nem se estivesse interessada (vide que disse não para meu próprio pai). Enfim, conto isso porque ele insistia, insistia e um belo dia veio me dizer que estava infectado. Eu acabei, via whatsapp, acompanhando a infecção dele. Lembro que ele só falava: "ah, daqui há 10 dias vou fazer exame de novo para ver se eu posso sair". Ele só pensava em sair!! Eu falava, cara, é quarentena, se você pegou, tem que ficar no mínimo 40 dias em casa, para não transmitir para ninguém nem pegar de novo. Mas eu estava falando com a parede, ele sempre que dava oi, já falava logo depois: "mal posso esperar completar 10 dias para fazer o exame de novo e eu poder sair". E assim como ele, é 80% do pensamento da população.

Brother, se você está doente, infectado com um vírus mortal, você vai para a rua fazer o quê? No mínimo, um irresponsável, no máximo, um assassino. Um dia eu me irritei e falei isso com ele. Ele não ficou puto comigo não, na verdade ele ficou meio idiotizado me olhando, como se não entendesse. O povo anda anestesiado, e negacionista é uma palavra refinada para burrice hoje em dia. E não fui eu que inventei, li no jornal alguém com a mesma opinião hoje.

Tem uma página chamada "brasil fede covid" que denuncia festa clandestina, mas não só, denuncia também aglomerações de todo tipo, apelo de médicos e autoridades. Bem, ontem estava vendo fotos de praias fechadas, com faixa, e nego burlando. Na boa, para esse tipo de comportamento, não tem vacina. Vai-se o vírus em breve, mas o comportamento irresponsável fica.

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