Sonhos
O título lembra o filme do saudoso Akira Kurosawa, mas usei porque atualmente tenho sonhado muito com minhas amigas. Faz tempo que não vejo minhas amigas, então os sonhos têm sido uma mistura de filmes que eu tenho assistido com atividades que fazíamos juntas no passado, com muita coisa que elas postam nas redes sociais.
Enfim, um balaio de gatos de imagens e memórias. Pelo menos nos sonhos, eu tenho tido a liberdade de ir numa cachoeira, acampar, tomar um chopp (e olha que pouco bebo), e me desligar desse mundo cão chamado Pandemia no Brasil (bem específico, no Brasil).
É muito horrível ver notícias, a impressão que tenho é que o mundo inteiro acha que a gente apóia esse homem asqueroso, o que não é verdade. A gente está presa aqui com o Covid e ele. Ele, um mal muit maior que qualquer vírus.
Hoje até fiz uma 'live' em inglês para meus amigos de fora verem a realidade aqui, que não, não apoiamos esse verme, que as pessoas têm fome, que tem sido um misto de medo, agonia, esperança, dor, revolta tudo junto e ao mesmo tempo.
Mas aí eu páro e penso, que de repente o povo de fora não quer saber. O que o 'gringo' quer saber de nós, realidade triste e real, é o que não podemos oferecer agora. Carnaval, bunda, biquini, praia, cerveja, sol, samba, riso, calor de rachar, feijoada e caipirinha.
Eu já morei lá fora, e eles querem mesmo é o 'bom selvagem', não um brasileiro culto, informado, estudado, que conheça a dor e a delícia da terra. Para eles, aqui ou é uma taba ou uma grande favela. Podem me achar exagerados, mas eu já tive que mostrar fotos da cidade do Rio para estrangeiros por não acreditarem que era um centro econômico estilo metrópoles com prédios de cimento. Juro!
Dessa forma, me abstive de colocar meu relato. quem sabe mais para frente, ou até mesmo aqui.
E aí, eu volto para os sonhos. Na segunda-feira, sonhei com a Paulinha, amiga minha que trabalha com samba, com escola de samba, fazendo produção para a Grande Rio. A gente trabalhou junto no Instituto Cultural Cravo Albin, um reduto de resgate da música brasileira, e o triste a bessa é que eu fui trabalhar lá na condição de voluntária porque o Ricardo Cravo Albin, que é escritor, pesquisar, jornalista, estava sendo roubado em seu arquivo, e fui trabalhar com ele para evitar que mais coisas fossem extraviadas e vendidas no mercado negro. Dá para acreditar que a nossa cultura já tão pouco valorizada ainda é roubada de forma tão vil? Dá, porque é Brasil.
Ali eu conheci a Paulinha, que era secretária do RCA. Eram tardes divertidas conversando e trabalhando. Nenhuma de nós está mais no ICCA, mas no sonho a gente tomava nosso chopp (ela tomava, eu bebia café) e conversava com a aquela vista linda da Urca no horizonte.
De ontem para hoje, sonhei com a Marcella, minha amiga de faculdade de jornalismo e vizinha, que estávamos acampando. Acho que não a vejo desde seu casamento, e isso faz muito, muito tempo, mas a gente ainda se fala, e na época da faculdade a gente era unha e carne. Sinto muita saudade.
Esse foi o sonho um, depois o sonho dois, com uma amiga mais recente, a Rízia, aqui de Nova Friburgo, meu retiro anti-covid. Ela tinha uma foto postada numa cacheira, e eu perguntei da foto, acabei sonhando que ela me levava na cachoeira, mas por uma caminho meio urbano, que vi num filme do Netflix esses dias, "O Guardião". O filme era de terror, mas o sonho era o oposto, bem agradável.
Falando em Netflix, eles me cortaram. Cancelaram meu contrato, mesmo com a fatura paga. Eu contestei, e disseram que o banco pediu para cancelar com alegação de cobrança indevida. Liguei para o banco, e o banco não fez pedido algum, inclusive consta o pagamento sem estorno. Liguei de volta, e a Netflix insistiu no erro do banco, mas óbvio que alguém ali fez 'caquinha' e quer que eu refaça o cadastro. Desisti da Netflix. Vou aproveitar para ler mais. Inclusive, vou falar sobre um livro bem interessante numa próxima oportunidade.
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