Genocídio
Ontem, sexta-feira, o alarmante número de 3.650 morto / dia. Tem noção do horror que é isso? Tem noção do medo que causa? Mas não em todo mundo. Aqui da janela, vejo as pessoas sem máscara, sem responsabilidade, como se fosse mais um dia normal na vida do cidadão brasileiro.
Obviamente que a culpa de estarmos vivendo essa situação de caos e terror é do pior governo que tivemos desde que Portugal invadiu o Brasil em 1500. O pior governo que tivemos desde que viramos República (das bananas) em 1889. E olha que tivemos ditadura, braba, dura, terrível, aniquiladora, assim como todos os demais países sulamericanos, dos anos 60 a meados dos 80.
As diretas de 1984, trazendo de volta a democracia semeou a esperança nesse país de dimensões continentais. E entre governos bons e péssimos, estamos vivendo o pior. E mesmo assim digo, apesar de esse (des)governo ser medonho, esse cidadão inonimável que ocupa o cargo ter toda a parcela de culpa, culpado também é o cidadão que não assume a responsabilidade para si de parar essa pandemia.
Culpado também é o cidadão, que ciente das mortes e do caos, não usa máscara, não se solidariza com os milhares de mortos, que faz festa clandestina, que tenta viajar escondido no porta-malas de ônibus para burlar barreira sanitária (sim, isso está acontecendo), que compra roupa de gari para andar na praia (sim, isso está acontecendo). Aquele famoso 'jeitinho brasileiro' notório e má afamado mundo-afora que está nos matando.
Matando quem não se cuida e quem se cuida também, porque o vírus circula do ar, e a tal cepa inglesa, a pior e mais resistente das cepas, chegou em terras tupiniquins (os europeu sempre matando nós tupis com suas viroses desde o século 16) no Carnaval (que oficialmente não teve, mas alguns lugares deram um "jeitinho") e por meio dessas festas clandestinas.
Gente, que fogo no rabo é esse para festas que supera a vontade de viver? Que urgência carpedíaca é essa que gera um destemor que suplanta a morte iminente? Que falta de amor ao próximo é esse que te faz egoísta?
Ontem estava acompanhando o Instagram da prefeitura de minha cidade, Nova Friburgo. O prefeito que assumiu o mandato em janeiro pegou essa trolha histórica de administrar a cidade e tentar manter os cidadãos vivos. Vi com horror nos comentários gente xingando o cara por tentar fazer um trabalho. Pior, nem só xingando, amaldiçoando o cara e a família. Enfim, um roteiro triste do pior que o ser humano pode oferecer. Nego tentando maneiras de burlar barreiras sanitárias quando deveria estar em casa cuidando da família.
Galera, se a pandemia chegou ao ponto que chegou, não adianta botar a culpa ou xingar quem está tentando ajudar. Todo mundo já sabe quem é o culpado, e todo mundo deveria fazer um mea culpa para ajudar e não atrapalhar. O momento é crítico. Tem gente passando fome. E você tá reclamando de não viajar, de shopping fechado?
Sim, o governo não planejou direito como dividir a economia para as pessoas ficarem em casa com comida e auxílio sem se expor para trabalhar, mas eu não estou metendo o dedo na cara de um trabalhador que infelizmente tem que se expor, mas tô falando especialmente para aquele que pode estar em casa, e não está (sabe Deus porque). E eu sou uma desempregada, como a maioria de vocês. E eu estou em casa, porque eu quero viver.
Quando eu penso que vai fazer um ano que meu pai, médico, morreu de Covid em serviço, e há uma remota mas real possibilidade de que eu possa ir tb por descaso de governo e alguns membros da comunidade, me gela a alma. Faz com que a morte de meu pai, e de muitas pessoas, tenha sido em vão. A total validação da política da morte.
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