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Mostrando postagens de abril, 2021

Sonhos

 O título lembra o filme do saudoso Akira Kurosawa, mas usei porque atualmente tenho sonhado muito com minhas amigas. Faz tempo que não vejo minhas amigas, então os sonhos têm sido uma mistura de filmes que eu tenho assistido com atividades que fazíamos juntas no passado, com muita coisa que elas postam nas redes sociais. Enfim, um balaio de gatos de imagens e memórias. Pelo menos nos sonhos, eu tenho tido a liberdade de ir numa cachoeira, acampar, tomar um chopp (e olha que pouco bebo), e me desligar desse mundo cão chamado Pandemia no Brasil (bem específico, no Brasil). É muito horrível ver notícias, a impressão que tenho é que o mundo inteiro acha que a gente apóia esse homem asqueroso, o que não é verdade. A gente está presa aqui com o Covid e ele. Ele, um mal muit maior que qualquer vírus. Hoje até fiz uma 'live' em inglês para meus amigos de fora verem a realidade aqui, que não, não apoiamos esse verme, que as pessoas têm fome, que tem sido um misto de medo, agonia, esper...

Baile de Carnaval

 O título fala de baile, mas não vou a um evento desses há décadas. Simplesmente porque dia desses, semana passada (hoje é terça-feira), achei uma foto com meu pai, numa matinée carnavalesca bem no início dos anos 80 (acredito que a foto é de 80 ou 81). Eu tirei essa foto do álbum e botei colada na porta de vidro do meu armário-biblioteca. Meu pai estava sorrindo. Flagrante raro. Ele era um cara animado, amistoso, mas raramente sorria para a foto. Eu estou nos ombros dele, vestida de gato (sempre foi meu animal favorito), meio aterrorizada de estar tão alto no ombro, meio contente por ser carnaval. Não nego que sempre amei uma festinha. Quem me conheceu na faculdade, sabe disso, que foi a época áurea das farras momescas de minha vida. Voltando à foto, essa imagem me traz lembranças acolhedoras. E quando eu olho para ela, eu consigo me projetar e voltar a uma época em que eu era verdadeiramente feliz. Eu era uma criança estranha,... estranha e feliz. Estava há anos luz de idéias dos...

Páscoa de Novo

 Ano passado meu pai quis vir me ver na Páscoa. Eu não deixei.... primeiro que já estava na pandemia, meu pai trabalhava em hospital, e eu já desconfiava que ele estava infectado (e realmente estava). Mais o fato que ele tinha 70 anos, não queria que pegasse a estrada sozinho. No abril passado, as pessoas realmente ficavam em casa. Fiquei com medo de ele quebrar na estrada e não ter socorro, e fiquei com medo de ele infectar minha mãe. Quando vejo núcleos familiares se reunindo e infectando um ao outro, lembro que não me despedi do meu pai em nome de salvar minha mãe. Eu realmente salvei minha mãe, ela já está vacinada. Se eu me arrependo de ter negado a visita do meu pai? Nem um pouco. De onde ele estiver, ele sabe que eu fiz o certo. Ontem aqui no meu bairro estava cheio de gente. A cabeça do brasileiro funciona assim: prefeito declara bandeira roxa, fecha estrada, logo, vou para o bairro arborizado da cidade SEM máscara, passear, andar de bicicleta, correr... afinal, lá não tem ...